sábado, 2 de junho de 2012

O top 10 da mesmice popular

Não sou muito de ver televisão. E quando ligo, é para treinar o inglês vendo um pedaço de filme do Telecine. Eu ia falar noticiários, mas parei pra pensar um pouco e me dei conta de que estaria mentindo. Mês passado, numa dessas poucas incursões ao controle remoto, resolvi dar uma chance ao Top 10 (ou seria Top 20?) do TVZ, que apresenta os clipes mais "votados" pelos telespecatadores. Votados está entre aspas porque, na verdade, quem comanda aquilo não é necessariamente os votantes, mas essa discussão fica para um outro post. De todo modo, lá estavam os clipes e as músicas que estão bombando no rádio, nas festas dos pré-adolescentes, nos consultórios dentários, nos iPods coloridos e no aparelho de som turbinado do vizinho. Não digo que as músicas e os clipes sejam ruins, mas parece que existe uma espécie de fórmula de produção para todos esses artistas e acho que é justamente aí que mora o problema.  Não sou tão xiita quanto os metaleiros e adoradores de jazz ou música clássica. Convivo muito bem com Miley Cirus, Madonna, J Lo, Britney Spears, Ke$ha e cia (acho que sei pescar/identificar as melhores músicas e melodias desses artistas e não tenho vergonha disso), mas é muito estranho você assistir 4 ou 5 clipes desses artistas na sequência e ver que quase todos falam de "zoar a noite toda", "pegação sem compromisso", e isso sem contar a estrutura das músicas, a ponte para o refrão, a sonoridade, a tomada das câmeras, os olhares, os closes, as roupas.
Mesmo não sendo um super fã de Adele, fiquei extremamente feliz em ver o seu clipe no meio de tanta falta de criatividade e mesmice. O clipe de "Someone Like You" é em preto e branco. Só isso já seria motivo de aplausos. Mas a coisa não para por aí. Ela não está lançando um sorriso plástico para as câmeras como quem pede mais seguidores no twitter. A letra é verdadeira, tem força e é bem escrita. O clipe não tem homens musculosos sem camisa, tampouco piriguetes se esfregando em alguma pilastra de uma festa milionária. Vemos apenas Adele, andando calmamente, e põe calmamente nisso, à beira do rio Sena. Sim, o clipe deve ter custado muito pouco para ser produzido, mas ainda assim, vale mais que os clipes dos seus colegas das paradas de sucesso.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

_fim

nossa relação já não estava boa há muito tempo e acabou, de fato. demorou um pouco pra me acostumar a acordar e perceber que não estávamos mais juntos. acontece que depois de algum tempo tive a certeza que não, não dava mesmo para continuar. a cada dia ficávamos mais distantes e vi que apenas insistíamos em algo sem futuro. não conseguia tirar isso da minha cabeça.

no começo era tudo curtição. constantes passeios, teatro, livraria, cinema, shows, bares, restaurantes, era como se eu necessitasse de sua presença, que me proporcionava uma sensação de segurança sem par. só de imaginar sua ausência, eu já me sentia sem direção, não enxergava um palmo à minha frente.

acontece que o que era pra ser uma relação fugaz tornou-se cada vez mais íntima. eu sabia que não podíamos dormir juntos, mas às vezes esquecia que isso era uma atitude 'errada' e quando via, o despertador do celular anunciava que já era o dia seguinte e você estava ali, no meu travesseiro. não conseguíamos ficar distantes e desde a hora em que acordava até o momento de dormir, eu só tinha a mesma coisa na cabeça, enfim, uma dependência que, aos poucos, foi tomando conta da minha vida a ponto de chegar a pensar que seria pra sempre.

lógico, como toda a relação havia aquele período de indiferença. às vezes eu enjoava e trocava por outros só pra não cair na rotina. acabei até me encantando com outros mais bonitos, feios, mais finos, mais velhos ou novos, mais atraentes e charmosos. mas não adiantava, era como um imã ou um bumerangue, que quanto mais longe eu arremessava, com mais força voltava.

obviamente não foi fácil lidar com o fim e tive de procurar ajuda médica, tanto antes do término como depois. passei a tomar remédios fortes que me faziam dormir. assim que tudo acabou, apesar de sentir um alívio, fiquei uns cinco dias em casa.

é... pra quem nunca usou óculos pode parecer besteira, mas para mim, que os tive comigo durante vinte anos, sei bem do que falo. acontece que foi preciso dar um fim neles e agora, que rompemos de vez, sei que fiz a escolha certa e tenho sido uma pessoa mais feliz desde o dia 9 de junho de 2009, quando fiz a cirurgia para correção de miopia e astigmatismo.

agora eu não dependo mais deles e se antes eu via desfocado, sei que os graus que me impediam de enxergar são apenas números sem importância que desapareceram com a aplicação de um laser, assim como espero que aconteça com algumas lembranças cujas duas lentes de vidro tanto presenciaram.

e apesar do charme que - dizem - os óculos me proporcionavam, não há mais tesão da minha parte por eles e um relacionamento entre nós não daria mais certo mesmo. por isso, posso dizer, mesmo sabendo que um dia voltarei a usá-los e cobrir minhas vistas nuas:

óculos,

eu não preciso mais de vocês.

[texto publicado originalmente em 2009, agora repaginado e atualizado]

terça-feira, 29 de maio de 2012

Se,

a dor nas costas permitir,
se a dor nos ombros melhorar, 
se a dor de cabeça passar até às 23: e tralálá,
se as ideias forem lúcidas,
se estiver bem  e na calma, por quê ando um trapo, de tão zuada. 
se der tudo certo no final, aqui no Simpósio, juro, postarei os vídeos escolhidos, selecionados.
se assim for escarro alguma coisa.
é, escarrar umas putices!

de tão entalada que estou.
quase  não consigo engolir, mesmo almoçando num lugar chique, fino, com direito a comer, é, bem, como é mesmo o nome daquele negocinho eim? ah deixa prá lá...
enfim, lugar  ocupado sem merecer, claro, por quê tem gente que acha que direito é merecimento né kassabianos e veja-nos?
principalmente se o gosto é pela reles cultura e não alta, altíssima, elevadíssima cultura...
e se pertencer a classe F ( fodidos e ferrados) ocupar, morar, claro que pode, só os arredores da cidade, as beiradas, de preferência com pé no abismo prá cair e morrer de uma vez.

porém, CONTUDO e todavia, 
enquanto isso...Rio dos Macacos,
enquanto isso...Ocupação Mauá...
enquanto isso, calma tou procurando no pai de todos o google, não lembro o nome da vila, achei,
enquanto isso...Vila Santa Rita,
enquanto isso, favela do Moinho,
enquanto isso..., enquanto isso...manifestações de gente que eu admiro!
p#rr#!!! assim, eu choro de tanto orgulho!
valeu, Mano Brown, Emicida e Criolo!
mais tarde postarei os vídeos, se tudo isso aí deixar.

fui, o Simpósio tá esperando...
desculpe, putices, tive/tenho que escarrar, se não hoje outro dia...

Pronto!
banho de gato, salonpas nos ombros, travesseiro de encosto e SEgunda ESCARRADA.

dois dias de simpósio, a palavra mais ouvida, exclusão, depois inclusão, e mecanismos de exclusão, estratégias de inclusão. embora cansativo, pois o excesso de informação também é prejudicial a saúde, admito ainda processando, a fala dos palestrantes, das mesas, da plenária e tentando (me) ajustar para o repasse. mas agora cansada demais, mas não tanto para não dividir, o mecanismo de exclusão formulado pelo prefeito eleito pelo povo.

ao assistir, lembro:
- e disse deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz...
muito tempo depois, daí no século 21,
Kassab contempla Sampa de seu helicoptero,
isento de trânsito e excesso de usuários no metrô, contempla o perímetro e como deus diz:
- que haja NOVA LUZ, e pronto!
nasceu o PROJETO de EXCLUSÃO.
 

resta perguntas, dúvidas e revolta, mas vale a pena assistir todos os vídeos.
saber mais da "política habitacional"  que contempla a poucos, sendo estratégia de inclusão da classe A para o centro da cidade e  mecanismo de exclusão do centro da cidade a classe subalterna.

se porventura fossem estratégias de inclusão, sonhando e sendo extremamente engênua, a prefeitura, o poder público, saberia por exemplo quantas famílias moram na ocupação Mauá, como vivem, quantas são cadastradas em programas de transferência de renda, quantos trabalham, quantas mulheres são chefes de família, quantas crianças estão na escola, quais condições de salubridade... teriam estas informações que são básicas, para o mais ralé dos mecanismos de inclusão na ponta da língua. mas quem forneceu números foram os moradores, gritando nas ruas, quantos ficarão em situação de rua.

então qual o plano, projeto de moradia neste ou em outro lugar. isto existe?
já respondo - não!
até o momento, apenas a ordem de desocupação, pleiteada por proprietários que durante ou aproximados 8 anos sequer lembraram da existência do imóvel, exceto quando surgiu o Projeto Nova Luz. sonegadores de impostos, pleiteiam próximo dos moradores conquistarem o direito, por vias legais, a moradia defendido na constituição, certo? lembram de algo, em meados de janeiro? lá em São Jose dos Campos...pareci piada, mas são vírgulas e cláusulas, a contradição do direito.

ah se não fossem as malditas vírgulas do direito, ah se não fossem!
nos resta também outras vírgulas, no grito, nos vídeos, nas ruas.

então surpreendida, e extremamente orgulhosa da AÇÃO do popular. Mano Brown, grava e transforma a ocupação num símbolo e homenagem a resistência. Valeu! Energia forte é apelido, a cara da resistência!

comum ouvir em palestras que temos que reinventar, temos que ser criativos e o blá blá, toda teoria escarrada. concordo, temos sempre que inovar, reinventar, sermos criativos, mas sem AÇÃO, tudo existe na teoria, e enquanto isso, os tccs mofam, sonhos morrem e perdemos algo essencial para a existência, a safada, da persistência!

não que precisem de defesa, tão pouco interessados em números, em mídia, pois a vendagem de discos é certa, tem público fiel, mesmo com a pirataria, tem preço popular, gravadora independente, os shows veículo de propaganda, marketing, no boca-a-boca.

isto incomoda? sempre, nenhuma independência é bem vista principalmente quando um preto, ex-pobre, ex-presidiário se apropria da história, defende o poder para o povo pobre, defende uma raça, sem o discurso esvaziado do excesso de teoria.

e claro toda apropriação, evolução é  própria do viver do homem. o discurso do pobre não lhe cabe, mas representa uma raça que (na maioria) não tem acesso a direitos (aprovação de cotas é recente, recém-nascida), aos postos de poder, ao centro, a riqueza. então equivale, representa, o discurso é legítimo, que haja mais, outros em defesa!

mas cientes, de que toda manifestação tem seu preço, não é Emicida?
entretanto, a lembrança, ação, é EFEITO, aproximação da conquista. e se estamos certos? se chegaremos, se venceremos, se conquistaremos, eu não sei, mas não conheço outro caminho, que não seja este.

então segue: ALTA CULTURA! coisaaaaaaaaaaaaaaa finaaaaaaaaaaaaaa manoooooo! é prá inspirar, a luta!
ah, esqueci, chamada atendida:
VADIA nº101, PRESENTE!
É nois, minas!!!

domingo, 27 de maio de 2012

Dia de Norma

“A sociedade da normalização é uma sociedade em que se cruzam, conforme uma articulação ortogonal, a norma da disciplina e a norma da regulamentação”
Michel Foucault

Depois da toalete, uma camada de protetor solar para evitar o envelhecimento precoce e em seguida a maquiagem. Blusa, bolsa e sapato, assim tudo fashion, como manda a tendência do último desfile de moda. No trânsito, coloca um som bacana pra evitar a chateação com essas crianças pobres e feias e fedidas que vêm atormentar nos sinais. Então, longas oito horas de bunda na cadeira de couro da empresa. Daí, duas horas de academia pra ficar em forma. Mais uma hora no divã pra descarregar as inquietações, a trezentos reais a sessão. Na sala de espera do dermatologista, que promete acabar com toda a celulite, lê uma revista feminina que ensina os dez truques para viver mais. Ainda volta pra casa em tempo de assistir a novela e come o seu iogurte light com granola light que é para o intestino funcionar direitinho. Antes de dormir, toma religiosamente seu Prozac® e reflete sobre qual blusa, bolsa e sapato colocará no dia seguinte. Muito em breve, Norminha terá um câncer.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

eu só vou falar na hora de falar. então eu escuto.

essa é a história de uma menina que não sabia o que escrever. acredito que alguns seres que por ali passavam haviam roubado todas as palavras da sua boca e controlado o movimento das suas mãos. não sei que ser tão maligno poderia fazer isso com alguém. o fato é que naquela madrugada de vinte e cinco de maio ela, que sempre tinha um verso na ponta língua, não sabia sobre o que falar. como se tivesse esquecido até mesmo das formas mais fáceis dos traquejos sociais.



'eu não sei dizer nada por dizer. então eu escuto'



Fala?





quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mimimi

E a vida segue
Nos surpreendendo, nos alegrando, nos decepcionando
Continuo querendo ser alguém que não sou
E quem não o é?
Vivendo e sonhando e sentindo
Me assustando quando olho no espelho e não vejo mais a garotinha de antes
Tão sonhadora, tão cheia de planos, tão cheia de esperança, tão otimista
Quem é essa velha cansada que me encara?
Tenho todos os defeitos que odeio.
E continuam dizendo que eu preciso me amar.
E continuam dizendo tudo que eu preciso fazer
Tudo que devo ser, o que devo vestir, o que devo comer.
Finalmente estou me cansando de tentar agradar todo mundo.
Mas ainda estou longe demais de não querer ser alguem que não sou.









terça-feira, 22 de maio de 2012

"Sobre meninos e piadas" ou "Do que se aprende enquanto cresce"

Desde que o mundo é mundo, existe a piada, existe a amizade e existem os amigos perdidos por conta das piadas.

E desde que o Menino nasceu, ele perdia amigos, mas não perdia piadas.


O Menino, é bom que se diga, não fazia isso por maldade. Era um problema quase biológico. Onde todos viam palavras, ele via trocadilhos. Onde todos viam uma canção, ele via uma paródia. Onde todos viam histórias, ele via anedotas. Tinha este problema, o Menino.


Era algo que, por mais que se esforçasse, não conseguia controlar, que escapava das forças do Menino. Quando percebia, a teimosa já tinha criado vida própria e spatapum...  a piada já existia e era um amigo que se ia... e o menino entristecia... 


Quanto mais piadas contava, mais sem graça a vida ficava... A piada, do Menino tão amiga, virou sua inimiga. Depois de tanta piada, do Menino-piadista, virou ele a piada, e não mais o humorista. 

(...)


Mas desde que o mundo é mundo, existe o problema e existe sua solução.

E existe a amizade.

E existe o perdão.

E existem meninos.

O Menino então cresceu. 
Não de tamanho, pois já era bem grandinho.
Não de idade, pois até que era velhinho.
Mas como o Menino cresceu!

E o Menino não deixou de contar piadas, de cantar paródias ou de fazer trocadilhos, mas já não os trocava por amigos, que é coisa que não se troca. Isso o Menino aprendeu e foi por isso que o Menino cresceu!

(...)

E este post, assim como toda conversa com aquele Menino, também terminará com uma sonora piada:



segunda-feira, 21 de maio de 2012

"Doce anjo... Leia esta carta... Bem!"

Acordo.
Olho pro relógio.
Meu Deus! Tô atrasado!
Atrasado pra quê?!
Pra ir atrás da correria de todos os dias!

Que saudade dá da época na qual minha única preocupação era acordar cedo para assistir os desenhos matinais!

Tanta coisa muda, né?!

Não sei se é minha impressão, e nem sei se é só comigo, mas as últimas conversas que tenho tido, com pessoas face a face e também as pelo face (book) sempre envolvem recordações!

Nesse mundo multimídia digital, parece que a gente tem feito questão de lembrar das coisas que nem sempre são possíveis de serem encontradas nas mídias!

Tipo... Hoje em dia, é super simples encontrar aquela música que você tanto queria (pensando nisso, tô mudando o vídeo de hoje)! Lembra?!

Era tão gostoso ficar esperando tal música tocar, com a fita K-7 preparadinha lá no REC/PAUSE! E quando tocava... Quanta felicidade! 

Hoje em dia, 4Shared resolve quase todas as solicitações!

Mas então! Como ia dizendo... O quê eu ia dizendo?! "Devaneando"! Usando a arte do neologismo, quando não encontro as palavras certas para exprimir o que quero!

Hoje, é tudo correria! Minhas madrugadas tem passado tão depressa! As horas noturnas pareciam passar mais devagar...

Mas bem...

A música que você ouvirá a seguir (se teclar no "Play" do Player do Youtube), é aquela que durante aaaaaaaaaaaaanos eu quis pra mim!
Acho lindo, principalmente o instrumental dela, mais pro final! 
E quem disse que os fulanos e fulanas falavam o título dela, ao final de sua execução?!

E eis que numa das madrugadas que eu passava, há muito tempo atrás, papeando no MSN, numa rádio de São Paulo, toca a bendita!

Não perdi tempo! 
Como eu tinha o contato no Messenger, direto com o radialista, pedi o nome de quem cantava e o nome da música também!

Tratava-se de "Deborah", com Jon Anderson & Vangelis!
Hoje a tenho aqui, em MP3! 
E partilho com você, através desse vídeo que posto à seguir!

E deixa eu correr, pra não perder a hora!

sábado, 19 de maio de 2012

Eu preferia que você me amasse

_ Eu te amo!
_ Ai meu Deus!
_ O que foi?
_ Pára com isso. Nós já combinamos que seríamos só amigos.
_ Mas eu não estou dizendo o contrário. Só disse que te amo. Não posso te amar como amigo?
_ Pode, mas depois de tudo que já tivemos, nós sabemos que não podemos brincar com essas coisas.
_ Brincar? Com que coisas? Eu só disse que te amo.
_ Você sempre complica as coisas.
_ Mas o que tem de complicado? Não foi você que sempre disse que quando se ama alguém, é pra sempre?
_ Pára com isso.
_ Então se eu te amei tanto durante o tempo em que namoramos, e se aquele amor era verdade, ele não pode ter acabado, senão significa que ele não foi real, não é isso?
_ ...
_ Pois então. Ele era real. Só que agora é diferente. Nós viramos amigos. Isso não significa que eu tenha deixado de te amar. Só aprendi que tenho que te amar de uma forma diferente.
_ Você sabe que isso não existe.
_ Eu sei? Eu só sei do que eu sinto. E eu sinto o que eu disse. É tão difícil assim aceitar que eu posso te amar de outra forma?
_ Eu não acredito nessas coisas. No fundo você só está confundindo tudo. Agora você acha que é maduro encarar as coisas dessa forma, mas vai chegar a fase em que você vai me odiar e perceber que, na verdade, o que você achou ser amor era uma atração que acabou virando ódio.
_ E quem você acha que é pra dizer qual vai ser o rumo dos meus sentimentos?
_ Eu conheço você. Você ainda não superou nosso término. Eu espero que você consiga superar logo tudo isso e que seja feliz.
_ Você acha que eu não estou feliz só porque estou sem você?
_ ...
_ Você é um idiota mesmo.
_ Não precisa me agredir assim. Eu só queria que você seguisse com sua vida assim como eu segui com a minha.
_ Do que você está falando, seu retardado? Se você não tem maturidade pra discernir seus sentimentos, não saia acusando as pessoas de serem iguais a você. Eu sei muito bem lidar com os meus.
_ Se soubesse não estaria confundindo tudo assim.
_ Você não entendeu nada, né? Como é burro! Que ódio!
_ Eu sabia que você ia acabar ficando com raiva de mim. É uma pena. Eu preferia que você me amasse.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sudamerica Dream

Até semana passada la máxima proximidad com nuestros hermanos foi na fronteira em dionísio cerqueira pra comprar doce de leite. Terca última jo e mi novia aterrisando em Montevideo. Dos dias despues Colonia. Mucho aeroplano, altobus, barco, hostels, pocas horas de sueno e carinhosos nuevos amigos después, Buenos Aires. E acá nosotros estamos, solamente la capa da gaita de libertário Bolivar, pero mui felizes e enamorados, beso.



quinta-feira, 17 de maio de 2012

América del Sur

Mesmo contando pesos a cada momento, mesmo sabendo poucas, bem poucas mesmo, palavras em espanhol (e com um inglês bem de índio), mesmo pegando barco de madrugada como clandestinos, mesmo comprando poucos souvenirs, mesmo a câmera tendo descarregado bem na chegada a Buenos Aires, mesmo dormindo bem pouco esta noite, mesmo sendo extorquidos no Mercado del Puerto, mesmo carregando malas por mil quadras, mesmo cortando o dedo andando de bicicleta, mesmo compartilhando alguns quartos, mesmo assim encontramos o Bruno, a Natalie e outros viajeros de coração grande em Colonia, Uruguai, conhecemos a Alice, da Nova Zelandia, ganhamos un desayuno de graça en el nuevo hostel, assistimos a um belo pôr do sol no porto de Colonia, percorremos toda a rambla de Montevidéu, ganhamos informaçoes de Antonio, um uruguaio bem simpático, rimos muito com nossas tentativas de hablar español, ganhamos um chocolate quase de graça no mercado, tomamos Patricia no trapiche sem precisar gastar tanto, conhecemos o Lucas e o Wesley, no hostel em Montevideo, nos divertimos encontrando lindas praças de surpresa pelas ruas, descobrimos que nos entregamos pelo sotaque e que nuestro Norte es el Sur.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Bracho, Paola Bracho

Eu até que consigo bem fugir da maioria dos estigmas da típica mulherzinha: não falo fofo, digo palavrão, não troco o torresminho pela salada no happy hour e não morro de amores pelo Ryan Gosling. Mesmo assim não consigo me livrar dessa anomalia predominante no cromossomo X, que faz com que eu seja uma bomba-relógio do drama, prontinha para explodir, espalhando estilhaços mexicanos em quem estiver ao meu alcance.

Toda mulher é dramática (até a filha da Gretchen, eu garanto), mas nem todas dramatizam da mesma forma. Eu, por exemplo, não sou do time das pobres, inocentes, autruístas e tão sofredoras mocinhas que são felizes só no último capítulo. Eu sou da equipe das que odeiam as Marias (a Mercedes e a do Bairro) e Paulinas. Eu sou da trupe da Paola Bracho, da Soraya Montenegro... sou do dark side, meu amigo. 

E nem é preciso franjinha falsa super-volumosa nem unhas de porcelana "francesinha" para que o espírito da Paola assuma o comando. Quando o ego não foi bem massageado, quando as coisas não saem como o previsto, quando um cara com nome composto me troca por uma sem-sal ou... simplesmente naqueles dias do mês, me pego olhando para o infinito com olhar dissimulado, arquitetando vinganças, armando planos mirabolantes e gargalhando maleficamente.

Mas calma aí, não se precipite. Antes de chamar o padre para me exorcizar, saiba: você inevitavelmente precisa conviver com várias mulheres diariamente e todas são bombas-dramáticas prontas para destruição em massa. Ora ou outra, você terá que vivenciar o chororô pró-diabetes das sempre perfeitas Marias ou a sociopatia paranóica mas também divertida das Paolas.

Eu, já que não tenho muita escolha, me conformo com meu destino. Mesmo que o final me reserve um fim cruel, pelo menos estou me divertindo como posso no restante do tempo. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O melhor filme de todos os tempos ...

Fico pensando na quantidade de coisas que estão explodindo dentro de mim nesse exato momento e que eu poderia facilmente expressar nesse texto. tem mil coisas do lado direito, e umas três mil do lado esquerdo, e ainda tem algumas escapando pelos poros da minha pele.

Dentre tudo isso, quero falar hoje sobre a primeira vez que andei de avião, e do amor que eu perdi nas alturas entre a Colômbia e o Brasil. Quero falar também sobre as músicas que tenho escutado, sobre as festas que não tenho ido, e sobre meu reencontro com meus amigos da época do colégio. Tem as responsabilidades que me tem sido apresentadas e delegadas, e tem aquela carta que ainda não escrevi, nem entreguei, mas que está por aí, em algum lugar entre minha cabeça e o papel. E tem ... 

E tem a coisa mais importante que eu gostaria de falar hoje: a VIDA! Percebi que ela está sempre por ai, acontecendo. Quer a gente queira ou não, ela acontece. Todos os dias. O tempo todo. Há sempre um beijo acontecendo, pessoas se encontrando e se perdendo, amores começando e se rompendo, seres humanos sendo concebidos, nascendo, chorando, morrendo, há sempre uma roda gigante brilhando e rodando, a todo momento há um avião levando alguém apaixonado pro outro lado do mundo, o tempo todo há um animal sendo salvo e outro capturado, há matas inteiras sendo devastadas e indiozinhos nadando nos rios, há leões famintos e ursos hibernando, agora nesse momento tem todas essas coisas e muito mais acontecendo. E tem a história da nossa vida, que está sendo contada agora. E o diretor, produtor e ator dessa cena somos nós mesmos. É preciso escrever o roteiro, ou deixar a improvisação correr solta. Só não é possível fugir disso, esse filme só tem história se nós decidirmos atuar nele. 

Considerem isso um convite: vamos pensar na quantidade de coisas que poderíamos realizar não fosse essa preguiça, esse medo e o pessimismo que invade nosso roteiro sem pedir a menor licença. Vamos jogar tudo isso na primeira lixeira que encontrarmos e vamos fazer esse filme ganhar o Oscar de melhor roteiro da vida real! 

Trilha sonora: Que tal o impossível?


sábado, 12 de maio de 2012

Ex my love ? Não sei o que é isso,mas é Brasil !

Televisão não educa ninguém em nenhuma parte do mundo .Nem é sua função.
Difícil descrever para o que foi inventada, mas a educação não é seu forte .
Mesmo assim é um recurso disponível e isso deveria ser levado em conta.
Fora do sudeste existe um Brasil imenso, onde muitas crianças ainda não vão a escola ou tem que esperar a cheia do rio descer para poder ir .
Educação no Brasil é um luxo para poucos, considerado uma coisa supérflua .
Bom mesmo para o governo é negociar com empresários, latifundiários, e não perder seu tempo com escolas e crianças que precisam estudar ,já que isso não traz lucros imediatos .
Já que estudo é luxo a televisão endossa essa idéia . A novela das sete, ``Cheias de Charme ´´ segue uma lógica previsível .Com um bom elenco, afinado, um bom texto, se concentra na história de três empregadas domésticas e suas dificuldades .
Uma delas, Penha ,teve que sair do emprego porque o patrão tentou agarrá-la , coisa que acontece demais, principalmente quando são meninas que chegam do interior, sem ninguém por perto, totalmente indefesas e caem no mar de tubarões .
Outra doméstica, Rosário, vive sendo humilhada e maltratada pelos patrões e a outra Cida é menor de idade, trabalha em uma casa desde pequena, quando a mãe arrumadeira morreu, a família manteve ela na casa, mas sempre a explorou .
É impossível pedir para uma emissora seguir essa linha de pensamento, mas neste caso já há na história elementos reais que acontecem com milhões de meninas, seria uma boa idéia seguir esse caminho e tentar mostrar um pouco mais da realidade .
Mas para que ver a realidade na televisão se todos vivemos ela ? Ninguém quer sofrer duas vezes .
Sendo assim quem escreve a novela teve uma idéia brilhante .Rosário chama as duas amigas, Cida e Penha, para passar a noite na casa da patroa,elas usam a roupa da patroa, a maquiagem e acabam frente a uma câmera de vídeo cantando .Aquilo vai parar na internet e elas ficarão ricas e famosas .
Sei que isso acontece na realidade, mas é um dos recursos mais miseráveis que eu já vi .
Para que estudar ? Para que mostrar a uma menina do fundão do Brasil como se defender legalmente se for atacada por um patrão ou humilhada ? Por que um autor colocaria uma doméstica estudando, melhorando a vida a custa de muito estudo e dedicação, conhecendo novas idéias e percebendo o quanto é explorada ? Por que um autor faria isso ?
Uma novela é feita para divertir . O ibope alto indica que sou a única reclamando, tá todo mundo adorando as domésticas que vão virar uma Ivete Sangalo.
Mas não existe nada sem mensagem, muito menos uma novela .Essa é a mensagem ? Continuem limpando as casas, mas sonhando em ser ricas e famosas ?  Não invistam em vocês, não estudem, não se preparem , esperem melhor a sorte, aquela que vai buscar cada um de nós na hora certa .
Essa novela deve ser uma resposta ao Fantástico , que recentemente mostrou uma reportagem dizendo que o serviço de doméstica está com os dias contados, já que as meninas hoje querem uma vida melhor .
A classe média e alta deve ter surtado ,daí colocam essa novela, pedindo entre aspas para que as meninas continuem limpando e sonhado, vai que um dia dá certo virar estrela e casar com o Luan Santana ,mas até isso acontecer, por gentileza fazer o serviço da casa e ser explorada sem reclamar.
Que o serviço de domésticas comece a diminuir é uma coisa para se comemorar, porque no Brasil nunca existiram domésticas, eram escravas disfarçadas, que dormiam no emprego, eram exploradas, mal pagas e muitas maltratadas .
Tudo que irrita a classe média vira uma bomba ,questão de tempo .Eles não querem as meninas estudando, nem superando a barreira social .Querem elas na cozinha, com o rádio ligado e suspirando com dias melhores .
Longe das faculdades,mas sonhando, enquanto lavam os banheiros . A novela vem apenas para apoiar o pensamento da classe alta e média em relação as empregadas.Tudo bem brincar com as roupas das patroas, mas limpem a casa e sua vida só vai mudar com um golpe de sorte enorme, não adianta estudar, nem procurar outra solução, a vida só muda assim quando alguma coisa incrível acontece e você tem que esperar ela acontecer .Enquanto isso, sirva o jantar e agradeça a Deus ,porque seus patrões são muito bons, pessoas de bem, que te deixam cozinhar de rádio ligado.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Menina Que Roubava Postagens

rizoma

a senhora que pede desculpas por não se lembrar, veja que Freud deve explicar, porque foi justamente no enterro de meu irmão, o senhor que aceita a garrafa de Contini depois que Luis resolve pentear a barba à talibã, o sósia de Kevin James perguntando à moça mulata se ela gosta de samba, e a moça mulata que franze a sobrancelha e desgosta da pergunta, mas não perde a elegância dentro do vestido verde;
o convite que Cláudio faz a Ju [-liana? -cileide? -sara?] para acompanhá-lo no "jogo da selecao com telao e bada de rock na ZSul, 10reais couvert", o moleque que passa com a cara sonsa de quem acabou de fumar maconha, com a velha história da favela que pegou fogo faz três dias, os senhores cansados que não percebem a cena, cabeças jogadas pra trás, boca aberta e a senhora que recusa, ultrajada, o papel que o menino lhe estende;
as três moças com receio de que o cobrador permita que as duas moradoras de rua subam, o casal que se entreolha quando escutamaquele povo do nordeste mas riem muito quando a história termina, os oito policiais uniformizados carregando envelopes pardos no sovaco, os dois trens que se emparelham permitindo que seus passageiros se encarem por longo trajeto, o garoto com fones de ouvidos que gargalha feito uma mocinha.
o menino retardado faz um sinal de jóia pra mim.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Olhar para mim e não te ver...

Queria voltar no tempo e brincar de esconde-esconde ou cabra-cega. Mas eu cresci. Cresci para aprender a amar. Cresci para te amar e te perder. Antes não tivesse crescido. Ou melhor, antes não tivesse te amado. Porque te amar é perder um pouco de mim, para enriquecer-me de ti. No entanto, nesse domingo ensolarado em que não te tenho mais, como posso enxergar a riqueza de te ter. Em outras palavras, como posso assumir que um dia já fui o homem mais rico do mundo, não pela quantia em reais na minha conta bancária, porém pela pessoa que eu tinha nos meus braços todas as noites: você. Como é doloroso olhar para o quarto, a casa, o meu carro e não te ver. Olhar para mim e não te ver. Dor cega e covarde é a dor de amor, é a dor de não te ter nos momentos que só tua voz era bálsamo para minhas feridas. Pronto, assumo toda minha verdade: não te tenho. Sou mais pobre por isso. E, hoje, queria ser o homem mais rico do mundo. Queria ter a riqueza de sentir novamente seus braços em meu corpo. Sim, como os apaixonados da literatura, eu seria capaz de dar-te a lua para trazer-te de volta a mim. No entanto, a dor da consciência é mais forte. A dor de assumir que foi decisão minha romper nosso relacionamento. Pois bem, mãe-dor, aceito aprender contigo a dura arte da maturidade, no entanto, como um viciado peso: deixa-me amá-lo por mais um dia. Para que possa ficar na memória do meu coração, a doce lembrança da voz dele chamando meu nome e dizendo: “não me deixe, porque eu te amo”.